Espero encontrar-me no teu beijo. Nua e mulher Dentro dos teus olhos humanos Em qual continente tu respiras? Deixo-te migalhas de estrelas Pelas ruas do mundo Para que tu não percas Os caminhos do meu coração 1996 (c)Ione França
Coloco-me no plural como quem pousa um vaso com violetas africanas no peitoril da janela. Assim, definitiva aproximação, como beija-flor na flor. Leve, devagar, sem outra intenções ou atos. Apenas flores nas janelas. À noite, também acendo velas na janela. Uma vela para ser mais exata. Sempre me parece que a exatidão é um perigo. Perigo de sermos apenas aquilo que pensamos que somos... Perigo de pensarmos que somos apenas o que fazemos.
Vivo de espaços vazios e os outros são estrelas a explodir no universo a milhões de anos-luz. Falo pouco e não me compreendo nas minhas ausências. Quando me dou conta, já abandonei o meu corpo e desapareço. Vê a peste que assola o meu sangue. Solidão. Que não mata por engano. Apenas se espalha pela pele como uma sentença. Por mais de dois mil anos procurei-me e não envelheci. Sou tão primitiva quanto a saudade. No inverno, não recolho das laranjas nem o sabor dos meus beijos. Talvez na próxima esquina, em que as ruas terminam em casas que não conheço. Talvez dentro destas casas, junto à lareira acesa, misturado com as cinzas, no último trago de conhaque, esteja o meu amor. E aí, eu estarei... Ione França www.castordepapel.pt
Vivo de espaços vazios e os outros são estrelas a explodir no universo a milhões de anos-luz. Falo pouco e não me compreendo nas minhas ausências. Quando me dou conta, já abandonei o meu corpo e desapareço. Vê a peste que assola o meu sangue. Solidão. Que não mata por engano. Apenas se espalha pela pele como uma sentença. Por mais de dois mil anos procurei-me e não envelheci. Sou tão primitiva quanto a saudade. No inverno, não recolho das laranjas nem o sabor dos meus beijos. Talvez na próxima esquina, em que as ruas terminam em casas que não conheço. Talvez dentro destas casas, junto à lareira acesa, misturado com as cinzas, no último trago de conhaque, esteja o meu amor. E aí, eu estarei... Ione França www.castordepapel.pt